sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Como uma ladra de livros, acabou me devolvendo os meus.

Vou contar um pouco para vocês como o livro “A menina que Roubava Livros” de Markus Zusak me trouxe de volta a vontade de ler. Então não espere uma resenha do livro, não é meu foco aqui (se quiserem posso indicar ótimos sites com resenhas). Pode conter spoiler, já que para explicar como isso aconteceu, vou ter que citar alguns elementos da história.

Para ambientar um pouco vocês que não me conhecem, eu costumava ser uma devoradora de palavras (sim palavras, não exatamente só livros, meu vicio na infância e adolescência era tamanho, que quando acabavam os livros, os gibis, os encartes, eu pegava até rótulos e bula de remédios para ler). Mas não sei precisar em que momento parei com isso.

Não vou dizer que foi uma tarefa fácil recomeçar, havia tentado isso inúmeras vezes, e tinha conseguido por um tempo com os livros do André Vianco, porém desisti novamente. Mas quando soube desse livro, tive uma vontade imensa de lê-lo e por isso pedi de amigo secreto no final de 2011. Mas alguma coisa me fez começar e parar este livro por três vezes, em cerca de dois anos.
Não sei explicar o que foi, mas sei exatamente o que me fez recomeçar o livro no final de 2013 e finalmente terminar: a força extraordinária dessa personagem Lielse Meminger. Ela tinha vontade de aprender a ler, ela queria mais e mais conhecimento e mundos novos, ela foi capaz de mostrar como palavras mudam o rumo das coisas, para o bem ou para o mal. Como um bom livro pode nos aliviar ou até mesmo nos fazer esquecer esse mundo louco por um tempo e como “os seres humanos me assombram” (palavras da Morte e não minhas, mas é o que penso também).

Para mim um bom livro é o que consegue me prender ao mundo que ele descreve, aos personagens, sem detalhar exageradamente, mas o suficiente para que mexa com minha imaginação e a faça funcionar a todo vapor, e principalmente que mexa com minhas emoções. E Markus Zusak conseguiu me fazer chorar e rir inúmeras vezes, me fez sentir a dor de ser um judeu na época de Hitler, me fez perceber que nem sempre é fácil saber a diferença entre o instinto de sobrevivência e do egoísmo demonstrado de maneira espetacular por Max Vanderburg, que a força de vontade e perseverança tem o seu preço e também dois lados como mostrou Rudy Steiner. Fez-me sentir o carinho e a compreensão de um homem simples através do adorável Hans Hubermann, e que cada um ama de maneira diferente como a nada afável, porém generosa Rosa Hubermann. Ensinou-me também como as cores do céu, os cheiros, os sabores mudam conforme o momento como nos conta nossa narradora, a Morte, durante toda a história.

Esse livro me trouxe tantos sentimentos diferentes que não foi fácil terminá-lo, ora porque eu queria jogá-lo longe e não abri-lo nunca mais para não sentir aquela dor eminente que a Morte anunciava, e ora porque eu não queria chegar naquele momento doloroso de ter que me despedir daquele refugio. Mas aquele mundo me encantava, os roubos, as maneiras de encarar o mundo, a dualidade de um alemão que não era contra os judeus, mas não poderia demonstrar.

Também me fez refletir por horas, a cada nova descoberta que o virar de páginas me proporcionava, como reclamamos muitas vezes de coisas insignificantes, como tem pessoas que vivem em um mar de horrores e conseguem sorrir e colorir o seu céu na parede do porão.

Enfim, cada vez que Lielse lia um novo livro, uma vontade de conhecer um mundo novo, de dar vida a um novo personagem, nascia em mim. Ao terminar este livro, abri meu armário e vi lá, cerca de 70 mundos novinhos, imaculados, com vários personagens aclamando para que eu voltasse a dar vida a eles, como eu costumava fazer.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Deméter (Ceres), Perséfone (Proserpina) e Hades (Plutão) ... e as 4 estações do ano.

Deméter era uma das filhas de Crono e Réia, deusa da fertilidade, do centeio, dos grãos, das plantações.... e tinha uma filha muito querida e bela, chamada Perséfone. Ao chegar perto da idade adulta, Perséfone começou a chamar atenção por onde quer que fosse. E justo QUEM resolveu ficar vidrado na moçoila: HADES, o Senhor do Inferno! Mal conseguindo controlar as labaredas da paixão, Hades emergiu da terra, em plena luz do dia e simplesmente raptou-a enquanto ela colhia flores. Detalhe, ela estava com as ninfas e na cia de suas irmãs, Artemis e Palas Atena..e vem Hades e faz uma presepada dessas. Te falar, viu...

As consequências eram óbvias: Deméter desesperada, procurou sua filha por todo canto possível e nada. Aliás, Deméter praticamente abandonou Despina (sua outra filha, falarei dela abaixo) quando saiu em busca de Perséfone. Durante o tempo em que Deméter ficou fora do Olimpo e procurando pela filha desaparecida, o solo se tornou estéril, o gado morreu, o arado quebrou, os grãos não germinaram...sem comida, a população sofreu de fome e doenças. Enfim, Deméter chutou o balde e não ia retomar a vida normal até que estivesse com sua filha novamente.

Bom, com a situação calamitosa que se abateu na agricultura, Zeus muito sabiamente viu que era hora de intervir. Ele pediu a Hades que devolvesse Perséfone, e com MUITO custo, Hades atendeu o pedido...mas não sem antes fazer mais uma presepada: deu um pedaço de romã à Perséfone. Holy shit! De acordo com as regras, aquele(a) que comesse qualquer alimento da região do Érebo (onde Hades habitava), ficava obrigado(a) a retornar  ... Mas até que a coisa não acabou tão mal: ficou estabelecido que Perséfone passaria metade do ano com a mãe, e a outra metade obrigatoriamente teria de ficar com Hades.

Por isso, chegamos nas estações do ano: Primavera e Verão são os períodos onde o solo é fértil, as sementes brotam, a agricultura rende... afinal, Deméter está feliz e na presença de sua amada filha. Já no Outono/Inverno começa a tristeza de Deméter, pois sua filha volta ao Hades. E por conta disso, o solo se torna difícil, infértil.. e para piorar, o Outono/Inverno é quando surge a presença forte de Despina, a outra filha de Deméter. Despina era uma encrenca, viu :x enciumadíssima++ pela predileção de Deméter por Perséfone, ficava mais irritada ainda quando via sua mãe sofrer por Perséfone. Despina era temida por ser uma deusa das sombras relacionada a fenômenos invernais, como as geadas. Aí já viu, né.

Fechando muy bien esse post, bora contemplar algumas pinturas fenomenais?  hihi

http://1.bp.blogspot.com/-EwYNyilmGOo/UHi7osMMXuI/AAAAAAAAAGc/YPIiDc3dv84/s1600/554px-Rembrandt_-_The_Rape_of_Proserpine_-_Google_Art_Project.jpeg
> The rape of Proserpina, por Rembrandt

http://4.bp.blogspot.com/_Kt-aZ2vRve4/TGyWm3Jy3zI/AAAAAAAAD98/Cd94qrt35Xw/s640/giordano4.jpg
> the rape of Proserpina, por Luca Giordano

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/4a/Abbate-The_Rape_of_Proserpine.jpg/686px-Abbate-The_Rape_of_Proserpine.jpg
> The rape of Prosepina, por Niccollo dell' Abate  ... a mais incrível.

http://www.greek-gods.info/ancient-greek-gods/persephone/images/rape-persephone-heintz.jpg
> mais uma do rapto de Perséfone, por Joseph Heintz the Elder

Ciao!

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

E sobre o que é o Blog?

Esse blog é para falarmos um pouco sobre livros, filmes, mitologia, animais e o que mais interessar. A ideia é compartilhar nossas opiniões, o que gostamos, o que não gostamos, o que vemos, lemos, escutamos, nossos aprendizados, enfim, um pouco de tudo.

Para conhecer um pouco sobre nós é só clicar no perfil ou perguntar nos cometários :)