segunda-feira, 24 de março de 2014

E a culpa, é de quem?



Já perceberam como nunca somos responsáveis pelos nossos erros? A culpa é sempre do outro. Ou dos pais, ou dos avós, ou dos irmãos, do chefe então, nem se fala! Ah, mas aquele colega de trabalho com toda a certeza do mundo é o culpado! Quem sabe então o namorado? A namorada? Talvez do ex! Sim o ex sempre é um problema! A mudança climática? Ou então o Obama! Mas minha? Não, nunca, jamais!

Às vezes paro e me pergunto, por que fazemos isso? Sim eu também faço. Acredito que seja involuntário, talvez até uma mania feia.
Agora a moda são os inimigos, já não temos pessoas suficientes para culpar pelos nossos erros mais idiotas? Precisamos de mais?

Dou um exemplo bem íntimo. Quantas vezes não me pego falando “nossa pessoal de tal lugar é tudo panelinha, ninguém conversa,me excluem de tudo..”, mas espera, se isso não é só em um lugar, são em inúmeros, até no meu trabalho, o erro é mesmo do outro? O problema será que não está em mim?
Nunca pensamos pela perspectiva: “o que eu estou fazendo de errado?”.
E por que não fazemos isso? Pelo simples fato: o medo de tomar decisões e sermos os únicos responsáveis por isso. O nome desse processo é amadurecimento, e dói! Ah se dói, dói muito. Tomar as rédeas de nossas vidas é um processo complicadíssimo, ao contrário de delegar.

Então quer dizer que, tudo o que fazem para nós é culpa nossa? Em partes. Na maioria das vezes as pessoas só fazem com a gente o que permitimos. E no demais vale a máxima, não importa o que fazem e sim o que fazemos disso.

Por exemplo, o que Malala Yousafzai fez após tomar um tiro? Ficou sentada reclamando como o mundo é cruel e ficou arrumando culpados para tudo? Não, ela usou o que fizeram com ela como uma arma em favor de sua causa.

Mas não estou falando para você assumir as mazelas do mundo e quem sabe ganhar um Nobel por isso, não, o que estou dizendo é, será que não vale refletirmos um pouco sobre as pequenas coisas de nossas vidas? Nossas reclamações e incômodos? E como mudar isso ao invés de gastarmos tanto tempo arrumando desculpas, procurando culpados, nos fazendo de coitadinhos sem senha, no final da fila, em dia de chuva, sem guarda-chuva? E ai, até quando vamos ser Homer Simpson?

sábado, 22 de março de 2014

Escolhendo o próximo

Como escolher o próximo que fará parte de nossas vidas? Não é uma tarefa trivial. Ele irá te acompanhar nos próximos dias, te ensinar coisas novas, fazer você rir e chorar. Às vezes você vai querer mandá-lo embora de tanta raiva que ele fará você passar, outras tantas não vai querer desgrudar dele. Você pode até se pegar pensando durante o dia no quanto queria estar com ele naquele momento. No trabalho vai querer vê-lo e não poderá, e vai torcer para se encontrarem, quem sabe, na hora do almoço.

Mesmo que não dê certo, você sabe que terá sua vida marcada de alguma forma, após permitir que ele entre em sua vida, gostando ou não, alguma coisa irá mudar. Algo será acrescentado, nem que essa experiência só sirva para te ensinar a escolher melhor.

Eu muitas vezes me pego parada, pensando se estou fazendo a escolha correta, e então quando finalmente escolho o próximo, vejo que não tem mais volta, até que eu o tenha desvendado por completo.

Esse processo se torna mais difícil quando a variedade é grande. Ainda mais para uma pessoa como eu, que tenho uma dificuldade enorme em escolher.

Na maioria das vezes, não me arrependo da minha escolha. Costumo levar em consideração, qual o momento estou passando. Qual o meu estado de espírito? Quero só uma aventura? Um romance talvez? Ou quem sabe ser devastada por completo por um bom drama?

É, não é fácil escolher o próximo livro, leio e releio a contra capa. Pego um e outro na prateleira, viajo em meus pensamentos até que finalmente decido. Depois disso, me deixo levar por aquela história, faço uma imersão em suas páginas. Se o livro não me conquistar nos primeiros 2 capítulos, sei que provavelmente nosso caso não dará certo. Mas como uma boa teimosa que eu sou, tento ao máximo insistir nele, até sua última página, até minha próxima escolha. E ai volta o pensamento, será que o próximo vai me conquistar?

segunda-feira, 10 de março de 2014

Timidez tem cura?


Já me falaram várias vezes que eu deveria deixar de ser tímida, mas as pessoas que falam isso geralmente são pessoas desinibidas, comunicativas, que nunca tiveram uma taquicardia, não sabem o que é apertar as mãos até quase não sentir os dedos, ou segurar o choro e a vontade de correr ao estarem em uma situação exposta ao novo e ao desconhecido.

Acho que timidez não tem uma cura 100%, talvez apenas dê para abrandar, mas o tímido mesmo, sempre terá que conviver com aquilo. Mesmo que não externe isso, sempre haverá aquele conflito no seu interior capaz de paralisá-lo, nem que seja por um minuto. O importante é continuar enfrentando.

Mas as pessoas não são tímidas o tempo todo e em todas as situações. Se você tem um amigo que é tímido, e se comporta assim o tempo todo, mesmo em uma situação que ele conheça bem o meio e as pessoas, reveja. Alguma coisa está errada, ou alguém está o deixando acuado, ou ele não é tímido, é simplesmente introvertido.

Quando a timidez atinge ao ponto de paralisá-lo por completo, ao ponto de fazer com que você perca eventos importantes, convívio social (o mínimo pelo menos de contato), cursos e até mesmo o trabalho, é porque passou dos limites.

O que costuma ajudar a me controlar e não sair correndo no meio de uma apresentação de trabalho, ou no meio de uma reunião, é estar preparada. Sim, não gosto quando me pegam de surpresa, não que eu não saiba o tópico, geralmente eu sei, mas porque eu não estando preparada eu travo, vem um branco. Então gosto de saber bem sobre o que vou apresentar ou o que tem que ser debatido antes, pois sei que no primeiro escorregão todo medo (sim a timidez é um medo) virá a tona e tudo vai dar errado.

O que ajuda também um tímido a enfrentar esse medo é se expor aos poucos, ao seu tempo. Não force situações por que você acha que isso vai ajudar, pois não vai! Pode até piorar para ser bem sincera. Mas se você é tímido e isso chega ao ponto de te incomodar, arrisque-se. Comece com situações controladas onde você sabe que terá um suporte. Ou quem sabe, use a internet ao seu favor. Quer escrever e não tem coragem? Desenhar? Quem sabe tirar fotos? Comece usando um pseudônimo para expor seus trabalhos, conforme sentir segurança e necessidade, só então coloque seu nome.

Mas seu problema não é fazer uma apresentação de trabalho? Não é expor seu lado artístico? É fazer amigos ou chegar naquela pessoa que te chamou a atenção? Bom, se esse é o seu caso, me desculpe, eu ainda não aprendi a lidar com essas coisas! Mas nossa amiga Bianca tem uma sugestão. Não testei ainda, mas quem sabe:


quarta-feira, 5 de março de 2014

Phaëton


Eu fico arrepiada só de ler o nome Phaëton (no português, Faetonte). É um dos meus preferidos e mais adorados mitos gregos. A trajetória de Phaëton é inconsequente no último, além de abarrotada de simbologias e
mensagens morais. E só pra variar, me identifico com todos os detalhes. Temos como um dos personagens centrais Hélio, também conhecido como o astro-rei, a cosmogonia da representação solar, a maior e mais potente força da natureza... É O SOL, minha gente! Na mitologia grega, a personificação do Sol é Hélio. Da união de Hélio com uma mortal chamada Clímene (nem me perguntem como isso fisicamente era possível, mitologia grega jamais terá crivo científico nem biológico! haha) nasceram as ninfas Helíades e o jovem Faetonte (Phaëton). Seu nome já tinha um significado todo especial: faiscar, brilhante, aquele que é derivado de luz.

Phaëton foi criado pela mãe, longe do convívio do pai e sem jamais saber sua origem. Um belo dia, sua mamãe Clímene conta-lhe sua origem divina. Ao saber, Phaëton fica toooodo serelepe, lógico..sabendo que era filho do astro-rei, era compreensível ele se sentir o último biscoito do pacote. Mas seus amigos, porém, desdenharam bruto da história. Phaëton obviamente ficou arrasado. Deprimido e cheio de questionamentos internos (e aquela vontade indisfarçável de esfregar a verdade na cara da galerê recalcada), Phaëton decide visitar o pai. Ele não poderia ir até o SOL em si, por isso fez uma trip até chegar ao reluzente e magnífico (TODO FEITO EM OURO, a cara da riqueza) palácio de Hélio. Lá era sempre meio-dia, não havia meia luz. Diante do pai, Phaëton já chegou dizendo que precisava da certeza sobre o Sol ser mesmo seu pai, ou se tudo não passava de uma idéia fantasiosa de sua mãezinha. O pai lhe abraça (se desfazendo dos raios momentaneamente) e confirma carinhosamente a sua paternidade. E empolgado com o momento ternura, disse a Phaëton que ele poderia pedir o que bem desejasse que o teria. Hélio jurou que daria o que Phaëton pedisse, e jurou JUSTO PELO RIO ESTIGE! Meu povo bonito, não existe nenhum juramento na esfera mitológica que pudesse ser quebrado se envolvesse o Rio Estige (era um dos rios do Hades). Hélio ainda não tinha se ligado na ENCRENCA ÉPICA que ele arrumou... E Phaëton, que de bobo não tinha nada, aproveitou e pediu a coisa mais impensável possível: a oportunidade de dirigir, por um dia, a carruagem (guiada por corcéis alados) de seu pai. Percebendo a inconsequência de sua promessa, Hélio tenta convencer o filho para reconsiderar a promessa. Essa passagem é linda e adaptei de fragmentos da web: 

"Perigoso é teu desejo. Pedes algo imenso, muito superior às tuas forças, uma carga pesada em demasia para teus tenros anos. Tu és mortal e imortal é o que aspiras. Desejas o que ainda não foi concedido aos deuses! O próprio senhor do Olimpo, que lança os raios, jamais se atreveu a tal tarefa. A estrada aérea é tão árdua e íngreme, que os próprios cavalos com grande dificuldade a escalam. No meio do percurso a altitude é tanta, que o ar se esgota e mar e as terras, quando de lá os contemplo, me assustam. E a descida é tão precipitada que até eu preciso de grande firmeza. Pensas que lá em cima encontrarás bosques, cidades de imortais e ricos templos? Viaja-se através de perigos e de monstros. Terás que passar pelo cornígero Touro, pelo arco tessálio do Sagitário (falando das constelações), pelas garras de Leão, pelas tesouras do Escorpião e pelos curvos braços de Câncer. Nem penses ser fácil governar meus indômitos corcéis, que desde o primeiro minuto lançam chamas pela boca e pelas ventas." 

Qualquer ser humano normal, ao ouvir isso, ficaria apavorado. Agora, pergunta se isso amoleceu Phaëton? Mais embebido do que nunca em vaidade e glória, se mostrou irredutível. Hélio não poderia desistir do que prometeu e só lhe restou aconselhar o filho durante a mortal jornada. E assim o fez: "Filho, tu não podes usar chicote. Controla os animais na rédea, com toda a firmeza que fores capaz pois são ágeis e frenéticos." Depois, ungiu o rosto de Phaëton com uma espécie de ungüento sagrado, para que as chamas não o transformassem em farinha. Era o momento da última advertência: "Não corras rasteiro à terra, nem levantes vôo até o céu. Caso contrário, incendiarás o planeta ou abrasarás o céu. Voa no meio e correrás seguro!"... (Phaëton e Ícaro sabem bem a m. que é não seguir esse conselho)

E lá foi o deslumbrado Phaëton. Mal subiu na carruagem, os indomáveis cavalos perceberam um peso leve e desenfreadamente partiram na mais alta velocidade. Impotente e percebendo seu grave erro, Phaëton já não
pode mais com os descontrolado cavalos, que vão de um lado pro outro, sobem altíssimo, descem com violência, cortam as estrelas, tacam fogo no céu e na terra.. sem dó.

Zeus, vendo aquele CAOS instalado e temendo pelo equilíbrio do universo, lançou um de seus raios que fulminou de vez o cortejo. Viam-se os pedaços caindo pela terra, tanto da carruagem quanto o corpo em chamas de Phaëton.

"Hic situs est Phaethon, currus auriga paterni.
Quem si non tenuit, magnis tamen excidit ausis"


*Tradução: Aqui repousa Faetonte, o condutor audaz do carro paterno, ao qual se não pôde guiar, ao menos pereceu em gesta gloriosa.

.....

Mito fantástico, sou suspeita a comentar. É uma reflexão preciosa sobre vaidade e ambição, pois para Phaëton, o "sucesso" era apenas o reconhecimento exterior de sua proeza, já que ele enganava a si mesmo tentando parecer heróico. Esse tipo de reflexão me diz tanta coisa...tem também a figura paterna, amorosa e sábia de Héliotentando aconselhar em vão seu filho, que aquela altura já estava tomado de impulsividade e soberba. 

Enfim, curtiram? ;)
Em breve mais posts!