Eu fico arrepiada só de ler o nome Phaëton (no português, Faetonte). É um dos meus preferidos e mais adorados mitos gregos. A trajetória de Phaëton é inconsequente no último, além de abarrotada de simbologias e
mensagens morais. E só pra variar, me identifico com todos os detalhes. Temos como um dos personagens centrais Hélio, também conhecido como o astro-rei, a cosmogonia da representação solar, a maior e mais potente força da natureza... É O SOL, minha gente! Na mitologia grega, a personificação do Sol é Hélio. Da união de Hélio com uma mortal chamada Clímene (nem me perguntem como isso fisicamente era possível, mitologia grega jamais terá crivo científico nem biológico! haha) nasceram as ninfas Helíades e o jovem Faetonte (Phaëton). Seu nome já tinha um significado todo especial: faiscar, brilhante, aquele que é derivado de luz.
Phaëton foi criado pela mãe, longe do convívio do pai e sem jamais saber sua origem. Um belo dia, sua mamãe Clímene conta-lhe sua origem divina. Ao saber, Phaëton fica toooodo serelepe, lógico..sabendo que era filho do astro-rei, era compreensível ele se sentir o último biscoito do pacote. Mas seus amigos, porém, desdenharam bruto da história. Phaëton obviamente ficou arrasado. Deprimido e cheio de questionamentos internos (e aquela vontade indisfarçável de esfregar a verdade na cara da galerê recalcada), Phaëton decide visitar o pai. Ele não poderia ir até o SOL em si, por isso fez uma trip até chegar ao reluzente e magnífico (TODO FEITO EM OURO, a cara da riqueza) palácio de Hélio. Lá era sempre meio-dia, não havia meia luz. Diante do pai, Phaëton já chegou dizendo que precisava da certeza sobre o Sol ser mesmo seu pai, ou se tudo não passava de uma idéia fantasiosa de sua mãezinha. O pai lhe abraça (se desfazendo dos raios momentaneamente) e confirma carinhosamente a sua paternidade. E empolgado com o momento ternura, disse a Phaëton que ele poderia pedir o que bem desejasse que o teria. Hélio jurou que daria o que Phaëton pedisse, e jurou JUSTO PELO RIO ESTIGE! Meu povo bonito, não existe nenhum juramento na esfera mitológica que pudesse ser quebrado se envolvesse o Rio Estige (era um dos rios do Hades). Hélio ainda não tinha se ligado na ENCRENCA ÉPICA que ele arrumou... E Phaëton, que de bobo não tinha nada, aproveitou e pediu a coisa mais impensável possível: a oportunidade de dirigir, por um dia, a carruagem (guiada por corcéis alados) de seu pai. Percebendo a inconsequência de sua promessa, Hélio tenta convencer o filho para reconsiderar a promessa. Essa passagem é linda e adaptei de fragmentos da web:
"Perigoso é teu desejo. Pedes algo imenso, muito superior às tuas forças, uma carga pesada em demasia para teus tenros anos. Tu és mortal e imortal é o que aspiras. Desejas o que ainda não foi concedido aos deuses! O próprio senhor do Olimpo, que lança os raios, jamais se atreveu a tal tarefa. A estrada aérea é tão árdua e íngreme, que os próprios cavalos com grande dificuldade a escalam. No meio do percurso a altitude é tanta, que o ar se esgota e mar e as terras, quando de lá os contemplo, me assustam. E a descida é tão precipitada que até eu preciso de grande firmeza. Pensas que lá em cima encontrarás bosques, cidades de imortais e ricos templos? Viaja-se através de perigos e de monstros. Terás que passar pelo cornígero Touro, pelo arco tessálio do Sagitário (falando das constelações), pelas garras de Leão, pelas tesouras do Escorpião e pelos curvos braços de Câncer. Nem penses ser fácil governar meus indômitos corcéis, que desde o primeiro minuto lançam chamas pela boca e pelas ventas."
Qualquer ser humano normal, ao ouvir isso, ficaria apavorado. Agora, pergunta se isso amoleceu Phaëton? Mais embebido do que nunca em vaidade e glória, se mostrou irredutível. Hélio não poderia desistir do que prometeu e só lhe restou aconselhar o filho durante a mortal jornada. E assim o fez: "Filho, tu não podes usar chicote. Controla os animais na rédea, com toda a firmeza que fores capaz pois são ágeis e frenéticos." Depois, ungiu o rosto de Phaëton com uma espécie de ungüento sagrado, para que as chamas não o transformassem em farinha. Era o momento da última advertência: "Não corras rasteiro à terra, nem levantes vôo até o céu. Caso contrário, incendiarás o planeta ou abrasarás o céu. Voa no meio e correrás seguro!"... (Phaëton e Ícaro sabem bem a m. que é não seguir esse conselho)
E lá foi o deslumbrado Phaëton. Mal subiu na carruagem, os indomáveis cavalos perceberam um peso leve e desenfreadamente partiram na mais alta velocidade. Impotente e percebendo seu grave erro, Phaëton já não
pode mais com os descontrolado cavalos, que vão de um lado pro outro, sobem altíssimo, descem com violência, cortam as estrelas, tacam fogo no céu e na terra.. sem dó.
Zeus, vendo aquele CAOS instalado e temendo pelo equilíbrio do universo, lançou um de seus raios que fulminou de vez o cortejo. Viam-se os pedaços caindo pela terra, tanto da carruagem quanto o corpo em chamas de Phaëton.
"Hic situs est Phaethon, currus auriga paterni.
Quem si non tenuit, magnis tamen excidit ausis"
*Tradução: Aqui repousa Faetonte, o condutor audaz do carro paterno, ao qual se não pôde guiar, ao menos pereceu em gesta gloriosa.
.....
Mito fantástico, sou suspeita a comentar. É uma reflexão preciosa sobre vaidade e ambição, pois para Phaëton, o "sucesso" era apenas o reconhecimento exterior de sua proeza, já que ele enganava a si mesmo tentando parecer heróico. Esse tipo de reflexão me diz tanta coisa...tem também a figura paterna, amorosa e sábia de Hélio, tentando aconselhar em vão seu filho, que aquela altura já estava tomado de impulsividade e soberba.
Enfim, curtiram? ;)
Em breve mais posts!
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